A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de indeferir a candidatura da deputada estadual Aurelina Medeiros (União Brasil) marca um momento histórico na política de Roraima. Recém-reeleita para o que seria seu 8º mandato consecutivo após mais de três décadas na Assembleia Legislativa, a parlamentar teve seus votos anulados devido a uma condenação por improbidade administrativa no "Escândalo dos Gafanhotos" — o maior esquema de desvio de verbas públicas da história do estado. O desfecho do caso gerou forte repercussão nas redes sociais e levantou dúvidas na população. Para entender o que aconteceu e os impactos da decisão, confira os principais pontos a seguir.
1. Por que ela perdeu o direito de se candidatar?
A deputada foi enquadrada na Lei da Ficha Limpa. Ela foi condenada na Justiça por improbidade administrativa (uso indevido do dinheiro público) e enriquecimento ilícito por causa do envolvimento no Escândalo dos Gafanhotos — um esquema de servidores fantasmas que desviava verbas da Assembleia Legislativa.
A punição determinada pela Justiça incluiu:
- Devolução de R$ 1,5 milhão aos cofres públicos.
- Pagamento de uma multa de R$ 159,9 mil.
- Perda dos direitos políticos (ficar sem poder votar ou ser votada) por 5 anos.
2. Por que o caso só bloqueou a candidatura dela agora se o esquema é antigo?
O esquema dos "Gafanhotos" aconteceu entre 1998 e 2002. A resposta para a demora está no tempo do processo judicial:
- Justiça devagar: A primeira condenação só saiu em 2014 (mais de dez anos depois dos fatos).
- Regra da Ficha Limpa: A Ficha Limpa só impede a candidatura quando a pessoa é condenada por um grupo de juízes (órgão colegiado). Isso só aconteceu em 29 de julho de 2025, quando o Tribunal Regional Federal (TRF-1) confirmou a sentença.
- Idas e vindas na eleição: No início da campanha, a Justiça Eleitoral de Roraima (TRE-RR) tinha liberado o registro dela. Mas o Ministério Público Eleitoral recorreu ao TSE em Brasília, e os ministros decidiram, por unanimidade, proibir a posse.
3. Ela ainda pode recorrer?
Sim. A defesa da deputada ainda pode apresentar recursos dentro do próprio TSE para questionar pontos da decisão ou tentar levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, na prática, é muito difícil reverter decisões da Ficha Limpa quando já existe condenação por desvio de dinheiro público confirmada por tribunal.
4. Quem assume a cadeira de deputado no lugar dela?
Ninguém assume de imediato, porque a vaga não vai automaticamente para um "substituto" fixo. Funciona assim:
Os 8.272 votos que Aurelina recebeu no dia da eleição deixam de contar para a conta geral, a Justiça Eleitoral de Roraima vai refazer o cálculo do chamado quociente eleitoral (a conta que distribui as cadeiras da Assembleia entre os partidos).
Após a recontagem, a vaga ficará ou com o primeiro suplente do partido dela (União Brasil) ou será redistribuída para outro partido que teve bom desempenho na eleição.
A trajetória de Francisca Aurelina de Medeiros Lima abrange mais de quatro décadas na gestão pública e na política do Estado de Roraima:
Francisca Aurelina de Medeiros Lima construiu uma carreira de mais de quatro décadas na gestão pública e na política de Roraima. Nascida em Morada Nova, no Ceará, em 21 de maio de 1951, ela se mudou em 1978 para o antigo Território Federal de Roraima. Com formação em Medicina Veterinária, mestrado em Sociologia e especialização em Orçamento e Planejamento, ingressou no serviço público trabalhando em equipes técnicas que elaboravam diagnósticos para o desenvolvimento da região.
Durante o governo de Ottomar de Sousa Pinto, participou ativamente da estruturação administrativa que transformou o território em estado, além de ter atuação marcante nos processos de transferência de terras da União para Roraima.
Sua trajetória na Assembleia Legislativa (ALE-RR) começou nas eleições de 1994, quando conquistou seu primeiro mandato de deputada estadual, assumindo o cargo em 1995. Desde então, acumulou sete mandatos sucessivos na Casa (1995–1998, 1999–2002, 2007–2010, 2011–2014, 2015–2018, 2019–2022 e 2023–2026). No Poder Legislativo, tornou-se a principal referência em assuntos financeiros, presidindo a Comissão de Orçamento e atuando como relatora de leis orçamentárias fundamentais do estado. Além disso, presidiu o Centro de Apoio aos Municípios (CAM), auxiliando na criação dos planos diretores das cidades roraimenses.