O mercado brasileiro de automóveis usados atravessa um momento de reajuste. Impulsionado pela concorrência acirrada com os carros zero-quilômetro — intensificada pela chegada de novos fabricantes —, o setor registrou queda de preços em 76,2% das referências da Tabela Fipe em outubro. Segmentos populares como os SUVs e as picapes compactas lideram as desvalorizações, acumulando perdas de 7,4% em 12 meses.
Enquanto o cenário favorece quem busca oportunidades de compra e maior poder de barganha, proprietários que desejam vender enfrentam dificuldades com avaliações mais conservadoras por parte dos lojistas.
Preferências e veículos mais valorizados em cada região
A dinâmica de valorização e busca por modelos específicos muda consideravelmente de acordo com o perfil geográfico e econômico de cada região do país:
- Centro-Oeste: Fortemente impulsionado pelo agronegócio e por rotas mistas, o mercado prioriza a robustez de picapes (como Fiat Strada e Toyota Hilux) e utilitários versáteis (como o Hyundai Creta e o Toyota Corolla Cross).
- Sudeste: Como principal polo comercial e de grandes frotas urbanas, destaca-se pela alta liquidez de hatches compactos econômicos (Volkswagen Polo e Chevrolet Onix) e SUVs urbanos bem consolidados (Volkswagen T-Cross).
- Nordeste: Apresenta alta demanda por veículos utilitários práticos e hatches urbanos, além de registrar um crescimento rápido na busca por compactos tecnológicos e eletrificados nas capitais (como modelos da BYD e o Fiat Argo).
- Sul: Tradicionalmente focado em picapes, sedãs e hatches versáteis com boa capilaridade de assistência técnica, mantendo forte preferência por linhas tradicionais da Volkswagen e Chevrolet e utilitários leves como a Fiat Strada.
- Norte: Demanda veículos resistentes, com suspensão reforçada e boa altura livre em relação ao solo para encarar diferentes condições de terreno, com forte preferência por picapes e SUVs de médio porte.
Em alta contramão: Mercado de motocicletas registra forte expansão e movimenta o setor de duas rodas
Enquanto o mercado de carros usados enfrenta desvalorização e forte retração, o segmento de motocicletas segue em ritmo acelerado e bate recordes de vendas no Brasil. Impulsionado pela busca por economia de combustível, agilidade nos grandes centros urbanos e pelo crescimento do setor de entregas por aplicativo, o mercado de duas rodas registra expansão contínua, atraindo tanto compradores de modelos zero-quilômetro quanto aquecendo a procura por seminovos.
Essa alta demanda contrasta com o cenário automotivo tradicional, garantindo excelente liquidez para as motocicletas e fazendo com que modelos populares mantenham seus preços estáveis ou com perdas de valor significativamente menores que a média dos automóveis.