segunda-feira, 26 de outubro de 2026 | Boa Vista, RR
INVISTA EM RORAIMA. O FUTURO DA AMAZÔNIA
COMEÇA AQUI.
INVESTE
RORAIMA
SAIBA MAIS
Eleições Genérico

PF Desmonta Esquema de R$ 4,2 Milhões para Compra de Votos em Roraima

principal investigado é o candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB), que acabou preso preventivamente em razão das novas provas encontradas.

PF Desmonta Esquema de R$ 4,2 Milhões para Compra de Votos em Roraima

ATUALIZAÇÃO — O candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB), ex-presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), foi solto nesta sexta-feira (2), após decisão judicial. Ele estava preso preventivamente desde quinta-feira (1º), quando foi alvo da Operação Lemming, deflagrada pela Polícia Federal para aprofundar as investigações sobre suspeitas de corrupção eleitoral e associação criminosa no contexto das Eleições 2026.

A operação cumpriu seis mandados de busca e apreensão e determinou medidas cautelares contra os investigados, incluindo o bloqueio de bens e valores de até R$ 4,2 milhões. A investigação é um desdobramento da Operação Filargíria, realizada em 24 de setembro, quando Jalser foi preso em flagrante após a PF encontrar R$ 19 mil em espécie e documentos relacionados à campanha. Ele foi liberado no dia seguinte após audiência de custódia e pagamento de fiança.


ENTENDA O CASO:

A descoberta ocorreu quase por acaso. No dia 24 de setembro, agentes da PF cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa de Jalser, no bairro Canarinho, em Boa Vista. O objetivo inicial era investigar outro suposto crime (lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas em um processo da Justiça estadual).

Durante a busca no quarto do candidato, os policiais revistaram o closet e encontraram:

  • R$ 19,1 mil em dinheiro vivo guardados junto a anotações e documentos pessoais do político;
  • Planilhas detalhadas escondidas em uma mochila e abaixo do painel da televisão, contendo o mapeamento completo da contabilidade paralela da campanha.

Como as planilhas apontavam diretamente para crimes eleitorais, o material foi encaminhado para a Justiça Eleitoral, resultando na Operação Lemming, realizada nesta quinta-feira (1º de outubro), que determinou a nova prisão do candidato.


A análise minuciosa dos documentos apreendidos revelou um sistema altamente organizado e padronizado para comprar o apoio de eleitores:


  1. A Sigla "BU": As planilhas continham campos como "BU DEFINIDO", "QTD" e "TOTAL". A investigação confirmou que "BU" era uma referência direta a "Boca de Urna".
  2. Tabela de Preços por Voto: O grupo estipulou valores fixos que variavam entre R$ 200, R$ 300, R$ 400 e R$ 500 por eleitor.
  3. Volume de Eleitores e Orçamento: O sistema registrava 12.175 eleitores cadastrados e previa um gasto total de R$ 4.228.100. Esse montante cobria tanto o pagamento direto aos eleitores quanto o repasse a lideranças e cabos eleitorais.
  4. Reserva para a Reta Final: Só para os últimos dias de setembro, a organização separou R$ 2.449.300, registrados exclusivamente sob a rubrica "BU".
  5. Candidaturas Beneficiadas: A estrutura serviria para impulsionar tanto a eleição de Jalser para a Assembleia Legislativa quanto a da esposa dele, Tatyanne Aguillera Padilha, conhecida como Dra. Taty (PSDB), candidata a deputada federal.

Ao ser preso na primeira ação, Jalser assinou uma declaração informando que é servidor público com salário mensal de R$ 6.800, afirmando não possuir nenhuma outra fonte de renda.

Para os investigadores, esse valor é totalmente incompatível com a movimentação milionária de mais de R$ 4,2 milhões demonstrada nas planilhas. Questionado pelos agentes na sede da Polícia Federal sobre a origem do dinheiro e a finalidade das anotações, Jalser preferiu exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio.

A PF ainda identificou 23 pessoas diretamente vinculadas às planilhas apreendidas. O foco das medidas judiciais (mandados de busca e bloqueio de bens) concentrou-se em seis intermediários que gerenciavam os maiores volumes de recursos e eleitores:


  • Itelvina da Costa Padilha (Mãe de Jalser): Aparece nas planilhas como intermediária de cotas. Ela mora em um imóvel ao lado do escritório político do filho e estava associada a repasses de R$ 14 mil.
  • Rosilany Stefanello (Coordenadora-geral da campanha): Teve R$ 313,8 mil bloqueados pela Justiça.
  • Daniel Cavalcante Rigo (Coordenador em Caracaraí): Teve R$ 250 mil bloqueados.
  • Marcio Jose Bergmann (Coordenador no Cantá): Teve R$ 180 mil bloqueados.
  • Rosineide Araujo Xavier (Coordenadora em Boa Vista): Teve R$ 94 mil bloqueados.
  • João dos Santos Moura (Coordenador em Boa Vista): Teve R$ 66 mil bloqueados.


Jalser Renier é uma figura controversa e influente na política de Roraima, tendo atuado como deputado estadual por 27 anos.inelegível até 2030, conseguiu em agosto uma decisão liminar (provisória) concedida pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que liberou sua participação nas eleições deste ano.


Posicionamento da Defesa: Em nota, a defesa de Jalser Renier declarou que está adotando as medidas jurídicas cabíveis para buscar o restabelecimento da liberdade do candidato. A defesa dos demais citados informou que aguarda a conclusão das diligências para se pronunciar no processo.

WhatsApp Envie sua denúncia